Arquivo de maio \28\UTC 2008

28
mai
08

Sexo na terceira idade

Ter uma profissão, continuar ativo mesmo com a idade, etc, são coisas que todos compreendem e até assumem como forma de vida, mas quando chega no capítulo sexo… Muitos balançam a cabeça e dizem: “não tenho mais idade para essas coisas“. Mas acontece que “essas coisas” fazem parte da vida e quando se trata de aprender a sentir prazer até nas pequenas coisas, o sexo não pode ser deixado de lado quando se fala de qualidade de vida.

Por quê abrir mão de uma das melhores coisas da vida se não há razão alguma para isso? Os próprios médicos afirmam que sexo faz bem para a saúde, previne doenças e preserva a saúde mental. Assim sendo, por quê não usar de tal medicamento?

É fato que durante a menopausa sofremos mudanças profundas e nosso corpo pode reagir pelo menos a princípio com uma certa indisposição para o sexo, mas acredito que o fator principal no desinteresse é o emocional, porque as mudanças que acontecem em nosso corpo a partir da menopausa podem gerar insegurança e não-aceitação. Se você não se aceita como é agora, será que o parceiro vai aceitar? Essa insegurança pode afastar muitas pessoas do sexo, mas isso não precisa ser assim.

Com todas as mudanças que ocorrem a partir dos 45, 50 anos, temos que fazer uma readaptação, uma redescoberta de nosso corpo e de suas necessidades e possibilidades. Não abandone o sexo na terceira idade, reaprenda-o. Afinal de contas, viver plenamente também significa estar em paz com a própria sexualidade.

(zailda coirano)

25
mai
08

A menopausa não é o fim

A menopausa traz muitas mudanças e o melhor caminho é adaptar-se a elas, em minha opinião. Tem também suas vantagens, como o fim das incômodas menstruações, cólicas, TPMs, inchaços e dores nas pernas. As mudanças causadas pela menopausa podem aumentar ou diminuir o apetite sexual, mas só no princípio, porque depois o corpo naturalmente vai se adaptando e tudo volta ao normal, portanto não se desespere, a menopausa não é o presságio do fim.

A tendência à acumulação de gordura em locais indesejáveis faz com que eu equilibre melhor minhas refeições, favorecendo verduras e legumes e deixando os carbohidratos um pouco de lado. As articulações têm uma tendência a “travar” se fico muito tempo parada, mas resolvo isso deixando o ônibus de lado alguns dias na semana e caminhando até a escola, que fica longe de minha casa.

Caminhar também é bom para o espírito, saio de casa um pouco mais cedo e desfruto a paisagem, observo as pessoas, medito um pouco. Às vezes tenho alguma idéia brilhante para alguma postagem… E levo sempre uma máquina para fotografar alguma coisa interessante que eu ache no caminho, assim minha caminhada acaba virando um passeio.

Acho que com a idade devemos aprender a desfrutar melhor as coisas que na juventude deixamos passar sem percebê-las. Devemos aprender a tirar prazer de todas as pequenas coisas que nos cercam e que antes ignorávamos solenemente. Devemos alimentar de forma saudável nosso corpo mas também nosso espírito e sentir prazer com pequenas coisas é uma arte que só desenvolvemos plenamente com a experiência adquiridas em várias décadas.

Como tenho mais tempo livre agora que tenho uma renda extra (que chamam de aposentadoria) e já cumpri minha missão de sustentar família, ocupo meu tempo livre da forma que considero mais agradável: ouço música, vejo filmes, escrevo, “invento moda” na escola. Essa parece ser minha fase mais criativa, as melhores idéias que tive na vida nasceram depois dos 50. E tem gente que acha que aos 50 chegou ao “princípio do fim”.

Cabe a cada um encontrar seus caminhos, redescobrir o prazer e desfrutar ao máximo a vida, que é um milagre a ser desfrutado em todas as suas possibilidades e da forma mais leve e rica possível.

(zailda coirano)

19
mai
08

Aposentadoria X trabalho

Depois de mais de 30 anos no mercado de trabalho finalmente adquiri o direito à aposentadoria, mas como acontece com a maioria dos brasileiros, isso não significou o encerramento de minha contribuição ao crescimento da sociedade, por vários motivos.

O primeiro deles, claro, é o valor da aposentadoria, que o INSS faz de tudo para reduzir ao máximo, para que nos sobre apenas aquilo que não encontram um meio de cortar. Ou seja, depois de mais de 30 anos de servidão à sociedade o aposentado se vê na frente do balcão do INSS como que a mendigar, tal é a mixaria a que se reduzem anos e anos de contribuição.

Outro motivo para não parar de trabalhar é que eu realmente gosto de minha profissão e não me agrada a idéia de encerrar abruptamente alguns projetos que iniciei quando cheguei a Diadema e que gostaria de levar até o final.

A longo prazo não me vejo nessa mesma profissão, por isso estou procurando outros meios que me agradem para continuar trabalhando sem, contudo, ficar presa a horários. O fato de receber uma aposentadoria, seja farta ou parca, me dá mais tranquilidade para espichar os olhos para setores que antes, por serem menos rentáveis, estariam fora do meu leque de opções.

Também imagino que, sendo uma pessoa ativa como sempre fui, o fato de ficar em casa sem objetivos práticos me levaria lentamente à depressão, porque preciso de ideais e acho que o ser humano sem ideais e realizações não passa de um robô de carne e osso. A inatividade também leva à doença e à morte.

Portanto acho que quem sempre trabalhou deve continuar fazendo-o mesmo aposentado, ainda que seja um trabalho de poucas horas semanais e de rentabilidade baixa, uma vez que nós da terceira idade já não temos mais a responsabilidade de manter uma família e criar filhos pequenos.

(zailda coirano)

17
mai
08

Envelhecer com qualidade de vida

Se perguntar a qualquer um se gostaria de voltar a ter 18 anos com certeza a pessoa lhe dirá que sim – mas com a cabeça que tem agora. Ninguém quer ter que aprender tudo de novo, sofrer as mesmas frustrações que já sofreu e cometer os mesmos erros. O que todos querem é ter o mesmo corpo dos 18, sem deixar de lado a experiência adquirida.

Experiência é o que os mais idosos têm de sobra, o problema é que o corpo não ajuda. O ideal seria mesmo criar um clone perfeito aos 30 e aos 50 fazer um transplante de cérebro e ficar com a experiência num corpo jovem outra vez.

Mas será que isso é apenas ficção? Bem, não sei se uma cirurgia dessas é possível ou se o será antes dessa carcaça aqui finalmente sucumbir, mas dá pra evitar muitos “estragos” em nosso corpo.

Para manter o cérebro funcionando como na juventude é necessário que o conservemos em pleno funcionamento, ou seja: continuar procurando coisas novas para aprender, lendo, informando-se, em sintonia com o mundo. Quando a pessoa se fecha para o mundo e começa a olhar apenas para dentro de si mesma, começa aí a lenta e inexorável deterioração que só termina com a morte.

Uma de minhas teorias é que o corpo reflete mais ou menos a idade que você sente ter. Se você se sente uma velha acabada, terá exatamente essa aparência, mesmo que tenha apenas 28 anos. Conheço pessoas que aos 18 anos já são muito velhas, e outras que aos 70 têm uma energia que muitos jovens nunca tiveram.

A vacina contra a morte é viver. Viver intensamente, plenamente, e não deixar que as limitações da idade (que só estão na sua cabeça) o impeçam de realizar o que lhe passar pela cabeça. Quanto mais intensamente viver, mais e melhor viverá. Menos os seus músculos e nervos reclamarão e doerão. Menos doenças degenerativas irá ter. Portanto, viva intensamente sua vida, não importa a idade que você tem. Seja da primeira, segunda ou terceira idade, não deixe o marasmo tomar conta de você. E se ele já se instalou, comece já. Lembre-se de que nunca é tarde para mudar de postura.

(zailda coirano)

16
mai
08

A terceira idade

Aos 50 anos sinto-me em plena terceira idade e algumas reflexões se fazem necessárias. Ao entrar na adolescência o ser humano costuma ter sonhos e ideais e ao longo da vida adulta vai realizando-os ou deixando-os de lado à medida que trilha seus caminhos e constrói sua realidade.

Ao chegar à terceira idade é freqüente que as pessoas já estejam exauridas de tantas batalhas, mais propensas ao conformismo de viver do passado e algumas até sentam-se à espera da morte, acreditando que suas vidas já terminaram.

Encaro a terceira idade como “envelhescência”, uma fase que imita a adolescência, quando podemos novamente sonhar e redirecionar nossas vidas com a experiência de muitos anos de realizações e sem o compromisso de criar filhos ou atender às necessidades de outros.

Encaro essa fase como um retomar de muitos projetos que foram abandonados, retomada de valores, reinicio do que foi deixado para depois. E também a construção de novos ideais e parâmetros para o futuro.

Futuro sim, quem disse que idoso não tem futuro? Enquanto há vida há futuro e como ninguém sabe quando o fim chegará, o importante é aproveitar cada segundo preenchendo a vida com coisas interessantes e criativas que não podíamos nos dar ao luxo de fazer porque estávamos ocupados demais provendo a família e educando filhos.

Sinto-me em plena envelhescência, muitas idéias e novidades a todo momento, projetos a mil, cursos a fazer, coisas para aprender. Tenho certeza de que quando a morte chegar terá que esperar na fila porque estarei muito ocupada.

(zailda coirano)




 

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