Eu não gosto. Nem mesmo de “terceira idade”. Acho que “velho” é algum objeto que compramos e depois de algum tempo deixamos jogado num canto porque já está desbotado, sujo e não tem muita serventia. Com gente é diferente, não ficamos “velhos”, ficamos experientes.
E podemos ajudar com nossa experiência, não podemos? Então não somos imprestáveis, e nem objetos, então não podemos nos conformar em sermos taxados de velhos.
O que determina nossa velhice é nossa cabeça. Conheço muita gente de 20 anos que já parou no tempo, está cansada de viver, procurando um barranco para se encostar. Eles são velhos, não sabem viver a vida, não sentem prazer em nada, só sabem se queixar. Mas nós temos idade e nem por isso estamos velhos ou acabados.
Não importa quantos anos a gente tem, o importante é continuar vivendo, produzindo, sendo feliz. O dia em que a gente para de sentir prazer, de produzir e começa a se queixar de tudo é porque paramos no tempo. Quando paramos, começamos a morrer. E aí ficamos verdadeiramente velhos.



Não gosto, não. Já fui chamado de velho, algumas vezes, mas, isso nunca me abateu. Tenho uma aparência absolutamente normal, apesar de baixo e magro. Me interesso por estar minimamente antenado com os modernismos do séc. XXI. Leio bastante, acompanho o que acontece no dia a dia do Brasil e do mundo, o que me dá a certeza de ter uma cabeça boa. E quem tem uma cabeça boa, ainda que a carcaça esteja prejudicada, não é velho.