Infelizmente “no nosso tempo” não havia internet, TV full HD, TV a cabo, smartphone. E eu digo infelizmente porque a vida ficou muito mais fácil e divertida com o advento dessas geringonças virem a fazer parte de nossas vidas.
As pessoas da minha idade (tenho 54) costumam mostrar-se saudosas “do nosso tempo”, mas eu não tenho saudade nenhuma do tempo em que eu tinha que tomar banho, me arrumar, ir para a telefônica da cidade, solicitar interurbano, esperar horas até a telefonista completar e depois pagar os tubos por uma ligação em que eu não tinha ouvido praticamente nada.
Não tenho saudade de chacoalhar por horas dentro de uma jardineira com bancos de madeira em estradas sem asfalto e que só apareciam uma vez por dia na cidade.
Não tenho saudade de quando uma enchente me deixava presa no trânsito sem ter como ir pra casa antes das 2 da manhã e a única forma de avisar em casa o que estava acontecendo era enviar um pombo correio. Quem sabe tambor, fumaça ou código morse resolvessem?
Apesar de ter nascido bem no começo da segunda metade do século passado, eu e a tecnologia vamos muito bem, obrigada. Eu aproveito tudo de bom que ela pode me proporcionar. Eu não tenho medo de aprender. Eu não me escondo atrás de minha idade pra dizer que “não sei mexer nisso”. Eu vou lá e aprendo.
Não existe nenhuma lei da natureza, religiosa ou criada pelo homem que impeça uma pessoa “idosa” de aprender o que quer que seja. A prima de meu pai tem 80 anos e está fazendo doutorado. Acho doutorado chique, no caso dela acho podre de chique.
Os adolescentes acomodados de hoje que dizem que não fizeram lição de casa “porque não deu tempo” (como se tivessem alguma coisa pra fazer) quando tiverem 50 vão dizer que não fazem o que poderiam fazer “porque estão velhos demais”.
Quando estamos “velhos demais”, o Criador em sua infinita sabedoria nos chama para o andar de cima. Se ainda estamos aqui é porque ainda temos coisas para fazer e realizar. Cruzando os braços e esperando que os outros façam por nós não poderemos depois reclamar se nos tratarem como parte da mobília ou “peso morto”.
Em minha opinião quando o homem para de aprender, já começa a morrer.
Zailda Coirano
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