Depois de mais de 30 anos no mercado de trabalho finalmente adquiri o direito à aposentadoria, mas como acontece com a maioria dos brasileiros, isso não significou o encerramento de minha contribuição ao crescimento da sociedade, por vários motivos.
O primeiro deles, claro, é o valor da aposentadoria, que o INSS faz de tudo para reduzir ao máximo, para que nos sobre apenas aquilo que não encontram um meio de cortar. Ou seja, depois de mais de 30 anos de servidão à sociedade o aposentado se vê na frente do balcão do INSS como que a mendigar, tal é a mixaria a que se reduzem anos e anos de contribuição.
Outro motivo para não parar de trabalhar é que eu realmente gosto de minha profissão e não me agrada a idéia de encerrar abruptamente alguns projetos que iniciei quando cheguei a Diadema e que gostaria de levar até o final.
A longo prazo não me vejo nessa mesma profissão, por isso estou procurando outros meios que me agradem para continuar trabalhando sem, contudo, ficar presa a horários. O fato de receber uma aposentadoria, seja farta ou parca, me dá mais tranquilidade para espichar os olhos para setores que antes, por serem menos rentáveis, estariam fora do meu leque de opções.
Também imagino que, sendo uma pessoa ativa como sempre fui, o fato de ficar em casa sem objetivos práticos me levaria lentamente à depressão, porque preciso de ideais e acho que o ser humano sem ideais e realizações não passa de um robô de carne e osso. A inatividade também leva à doença e à morte.
Portanto acho que quem sempre trabalhou deve continuar fazendo-o mesmo aposentado, ainda que seja um trabalho de poucas horas semanais e de rentabilidade baixa, uma vez que nós da terceira idade já não temos mais a responsabilidade de manter uma família e criar filhos pequenos.
(zailda coirano)



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